Com a escalada do conflito entre Irã e Israel, o mundo inteiro começa a sentir os reflexos muito além das fronteiras do Oriente Médio. O impacto não se restringe ao campo geopolítico: atinge diretamente o comércio exterior, os custos logísticos, a inflação global e, em especial, a economia brasileira.
A seguir, você entende como os desdobramentos dessa guerra podem afetar o seu bolso, os produtos que você consome e o futuro das exportações e importações brasileiras.
Cadeias de Suprimento Sob Pressão
Um dos primeiros setores a sentir os efeitos da guerra é o de fertilizantes. O Irã está entre os principais exportadores mundiais de ureia e amônia anidra — dois insumos fundamentais para a agricultura moderna. Com o conflito, há risco real de interrupção nesses fornecimentos, o que é especialmente preocupante para o Brasil, que importa cerca de 95% dos fertilizantes nitrogenados que consome.
Além disso, há um alerta importante para as exportações brasileiras. Em 2024, o Irã foi responsável por 10,9% das exportações de milho do Brasil. A continuidade da guerra pode comprometer essa demanda e forçar o redirecionamento do milho brasileiro para outros mercados, algo que envolve custos, renegociações e, possivelmente, perdas.
Logística Internacional e Alta do Frete
O Estreito de Ormuz, rota por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial e boa parte do gás natural liquefeito (GNL), também entrou no radar de risco. Qualquer ameaça de bloqueio nessa área estratégica pode paralisar parte do tráfego marítimo global, elevando fretes e prêmios de seguro a patamares alarmantes.
O impacto foi imediato: poucas horas após o início do conflito, o barril de petróleo Brent saltou de 69 para 74 dólares. Esse aumento pressiona diretamente os custos logísticos no mundo inteiro. No Brasil, onde o diesel representa mais de 60% do custo do transporte rodoviário, isso significa produtos mais caros nas prateleiras e fretes mais salgados para empresas de todos os portes.
Inflação e Incertezas Econômicas
Com os combustíveis e fertilizantes mais caros, os custos de produção agrícola e industrial sobem — e quem paga a conta final é o consumidor. Essa pressão inflacionária afeta desde alimentos até bens industrializados.
Outro reflexo inevitável é a volatilidade cambial. Em tempos de guerra, investidores correm para ativos considerados seguros, como dólar e ouro. Com isso, moedas de países emergentes — como o real — tendem a se desvalorizar. Isso encarece as importações e pode levar o Banco Central a adotar políticas monetárias mais rígidas, como aumento da taxa de juros, para conter os efeitos da desvalorização.
O Brasil no Centro das Consequências — e das Oportunidades
O agronegócio brasileiro, motor da nossa balança comercial, é particularmente sensível ao cenário atual. Com o aumento dos preços dos fertilizantes e do diesel, culturas como soja, milho e cana-de-açúcar são diretamente impactadas. E os pequenos produtores, com menos margem para absorver os custos, são os mais vulneráveis.
Por outro lado, há uma janela de oportunidade: a alta do petróleo pode tornar os biocombustíveis mais competitivos. Isso favorece a produção de etanol (principalmente da cana) e o biodiesel (derivado, entre outros, do óleo de soja), segmentos em que o Brasil é referência mundial.
A guerra entre Irã e Israel não é um conflito distante, afinal reverbera em nossos portos, nas estradas, nas lavouras e até nos supermercados. O Brasil, como grande importador de insumos e exportador de commodities, sente os impactos de forma ampla — mas também pode encontrar oportunidades em meio ao caos.
Ficar atento a essas transformações é essencial para governos, empresas e consumidores. Pois, em um mundo globalizado, qualquer faísca no Oriente Médio pode provocar incêndios econômicos em todo o planeta.
Fontes:
Globo Rural
O Povo
Wikipédia